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17/08/2015
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Comprador de carro troca o zero pelo seminovo

Os números revelam: o consumidor brasileiro está trocando o zero pelo seminovo. Num cenário em que a queda de venda de carros novos passa de 20% (20,04% até julho) o mercado de carros seminovos permanece vigoroso, registrado um expressivo crescimento de 39,2% no mesmo período.

O seminovo já viveu o seu período crítico de depreciação, o que acontece exatamente até três anos. Assim, o dono do carro não vai perder muito na hora da revenda, o que aconteceria se comprasse um carro zero: dados do estudo de Depreciação da Agência Autoinforme indicam que o carro pede, na média, 15% do seu preço no primeiro ano de uso e 10% no segundo. A partir daí a depreciação é mais leve e regular.

Esse comportamento revela também que a crise é de confiança e não de falta de dinheiro, caso contrário, o segmento de seminovo também estaria paralisado. O que falta é confiança para investir o dinheiro num momento de dúvidas. O fracasso do Festival do Consorciado Contemplado é prova disso: mesmo estimulados pelo programa, organizado pela Anfavea, os 200 mil donos de cotas contempladas não realizaram o seu direito de compra. Quando a proposta foi lançada, em abril, o mercado vendia 10.578 carros por dia; hoje vende 9.540. Provavelmente estão usando o crédito para comprar um seminovo.

Nos sete primeiro meses do ano foram vendidos 7.649.908 veículos usados, conforme dados da Fenauto, a associação dos revendedores de carros usados, volume 4,7% maior do que no mesmo período de 2014 (7.305.864). Mas o grande crescimento foi do segmento de seminovos, que vendeu 2,210 milhões de unidades, contra 1,588 milhão no mesmo período do ano passado.

Os carros mais velhos também tiveram um comportamento melhor do que os novos, mas todos perderam em relação ao ano passado. Carros com quatro a oito anos de uso vendem 3,5% a menos; com nove a 12 anos, queda de 4,1% e os velhinhos, com 13 anos ou mais, tiveram uma queda de 7,4% nas vendas até julho.

Observe que, mesmo assim, todos os segmentos tiveram, desempenho bem melhor (ou menos pior) do que o mercado de novos, que caiu 20,4%.

Para Caio Matias, diretor comercial da Windi Soluções em Sistemas, empresa que desenvolve o sistema Altimus, além dos motivos citados acima um outro grande motivo para o agravamento da crise é a política de preços rígida das fabricantes. "Não se houve falar nem de longe em redução de preço dos veículos novos, muito pelo contrário em vários casos os veículos novos aumentaram de preço em 2015. Isso faz com que o comprador, que está cada vez mais atento ao mercado gaste menos e pegue um veículo semi-novo ou usado de boa qualidade", finaliza.

Fonte: UOL Carros.

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